Fico guardando impressões dessa viagem, mas a preguiça
seguida da ansiedade me impedem de escrever.
A ansiedade porque são muitas sensações, muitos aprendizados
e experiências; a preguiça por conta da dificuldade que impera de descrever detalhes, mesmo sabendo o quanto me deleito em cada um deles, preguiça de achar palavras que alcancem um significado à altura dos momentos vividos e, lógico, o anseio ignorante de querer chegar logo ao fim.
“En fim”, posso começar por aí. O aprendizado de entregar o
controle da vida, a paz em viver o processo e finalmente entender que o fim
talvez seja utopia.
Grandes anseios tomam conta da alma quando realmente
desconhecemos a manhã seguinte. O Espírito diz: “cofia” e me lembra de parte da
poesia de Robert Frost, dizendo que eu escolhi trilhar a estrada menos
percorrida.
Não escrevi o quanto gostaria de ter escrito aqui. Não culpo
a falta de tempo, nem o excesso dele. Culpo a ânsia de viver, viver e viver,
sem parar pra contar, sem querer ouvir a impressão do outro, que por vezes é
maravilhosa, mas por vezes nos atrapalha.
Quase 5 meses nessa cidade. Laços mais estreitos com Deus
e comigo mesma. Informação sem fim, amigos preciosos, arte, música, amor... um pouco
de dor e solidão também. Natural.
Imprevistos, mudanças, surpresas, decepções, intensidade e
vulnerabilidade.
Tem de tudo aqui.
Mas o melhor é o que fica: A certeza de que não existia
outro jeito, de que estou onde estou por que tenho que estar, porque não me vejo em
outro lugar.
Aprendi que meu coração se sente em casa quando está
envolvido no Criador, quando Seu Amor e seu sacrifício me bastam.
O clichê que traz a viagem como inspiração, mudança e
descanso nem sempre é real. A inspiração vem mas o encontro com fraquezas e
limitações se faz presente desde os primeiros passos em terra estrangeira. O
que muda é onde escolhemos levar tais sentimentos. Eu escolhi aceitar alguns,
aqueles que fazem parte da personalidade, da essência, aqueles que vão te ferir
se você tentar afogar. Mas escolhi rejeitar a maioria, principalmente os medos
e a vontade de querer controlar o processo e concluir o fim.
Descobri um pouco nesses 5 meses que podemos decidir a
estrada que queremos trilhar, assim como Robert Frost, mas a partir do momento
que pisamos ali, a previsão, as luas, as chuvas, os momentos de sol, a lama, os
banhos de mar, os encontros e desencontros... Tudo isso é obra misteriosa de
Deus e uma das maiores graças, entre tantas outras, é o poder de adaptação que
recebemos para enfim sabermos que
são através dessas mudanças que nos mantemos vivos.