Monday, November 26, 2012

Outono.





Quanto tempo que não escrevo. E quanto tempo que não ordeno, pelo menos um pouco, a desordem dos sentimentos e emoções vividas nessas últimas caminhadas.
NY agora é minha casa, o Brooklyn mais precisamente.
Viajei por 40 dias fora daqui, mas voltei.
Voltei e fiquei.
Fiquei porque, sabe-se lá como, no começo da minha viagem aqui conheci esse moço que tem o mesmo nome que eu. Nada disso de alma gêmea.. Graças a Deus ele tem muita coisa que eu não tenho e me ensina numa delicadeza que eu nunca vi. Pois bem, conheci, me interessei, fiquei com medo, muito medo, mas amei e hoje amo ainda mais. Aí quando vi já era... e pra dar continuidade na história toda, preciso dizer que o tal moço hoje é meu marido.
Casamos numa cerimônia simples e linda em Greenpoint logo após o não tão querido Sandy, furacão que abalou a cidade.
Verdade que muitos criticaram, outros só se preocuparam, uns deram muita força, outros vibraram. Não importa, cada participante dessa história trouxe mais valor ao ponto final que agora deu espaço para outro parágrafo inesperado, esse que estou vivendo agora.
Amigos queridos e parte da família vieram mesmo no olho do furacão e quando entrei ao som de Amazing Grace pude ver a cara de cada um e sentir aquele amor que se a gente parar pra explicar muito fica piegas, mas que é, de fato, um amor que não tem fim.
Vivemos surpresa atrás de surpresa. Imprevistos foram resolvidos com o vento, que só deixou tudo mais bonito, assim como as folhas do outono que ficam no chão, mas não perdem sua beleza e significado.
E foi desse jeito, no Outono de NY, que Deus me surpreendeu de novo, deixando o meu queixo caído por Ele, por seus infalíveis propósitos e sua infinita graça.
Agora, continuo assim, ouvindo a voz de Billy Holiday  que diz:
“It’s autumn in New York … that brings the promise of new love.”








Wednesday, June 13, 2012

EnFIM ...



Nem sei por onde começar.
Fico guardando impressões dessa viagem, mas a preguiça seguida da ansiedade me impedem de escrever.
A ansiedade porque são muitas sensações, muitos aprendizados e experiências; a preguiça por conta da dificuldade que impera de descrever detalhes, mesmo sabendo o quanto me deleito em cada um deles, preguiça de achar palavras que alcancem um significado à altura dos momentos vividos e, lógico, o anseio ignorante de querer chegar logo ao fim.
“En fim”, posso começar por aí. O aprendizado de entregar o controle da vida, a paz em viver o processo e finalmente entender que o fim talvez seja utopia.
Grandes anseios tomam conta da alma quando realmente desconhecemos a manhã seguinte. O Espírito diz: “cofia” e me lembra de parte da poesia de Robert Frost, dizendo que eu escolhi trilhar a estrada menos percorrida.
Não escrevi o quanto gostaria de ter escrito aqui. Não culpo a falta de tempo, nem o excesso dele. Culpo a ânsia de viver, viver e viver, sem parar pra contar, sem querer ouvir a impressão do outro, que por vezes é maravilhosa, mas por vezes nos atrapalha.
Quase 5 meses nessa cidade. Laços mais estreitos com Deus e comigo mesma. Informação sem fim, amigos preciosos, arte, música, amor... um pouco de dor e solidão também. Natural.
Imprevistos, mudanças, surpresas, decepções, intensidade e vulnerabilidade.
Tem de tudo aqui.
Mas o melhor é o que fica: A certeza de que não existia outro jeito, de que estou onde estou por que tenho que estar, porque não me vejo em outro lugar.
Aprendi que meu coração se sente em casa quando está envolvido no Criador, quando Seu Amor e seu sacrifício me bastam.
O clichê que traz a viagem como inspiração, mudança e descanso nem sempre é real. A inspiração vem mas o encontro com fraquezas e limitações se faz presente desde os primeiros passos em terra estrangeira. O que muda é onde escolhemos levar tais sentimentos. Eu escolhi aceitar alguns, aqueles que fazem parte da personalidade, da essência, aqueles que vão te ferir se você tentar afogar. Mas escolhi rejeitar a maioria, principalmente os medos e a vontade de querer controlar o processo e concluir o fim.
Descobri um pouco nesses 5 meses que podemos decidir a estrada que queremos trilhar, assim como Robert Frost, mas a partir do momento que pisamos ali, a previsão, as luas, as chuvas, os momentos de sol, a lama, os banhos de mar, os encontros e desencontros... Tudo isso é obra misteriosa de Deus e uma das maiores graças, entre tantas outras, é o poder de adaptação que recebemos para enfim sabermos que são através dessas mudanças que nos mantemos vivos.

Sunday, April 22, 2012

Somehow they know how to tell the stories


De alguma forma, quando as palavras não reproduzem um pensamento claro, imagens contam, em silêncio, histórias livres de interpretações engessadas.




















Friday, March 30, 2012

Going Down




Tenho pensado nesse post há algum tempo. Tanto tempo que quase desisto de escrevê-lo.
Tirei essa foto no meu primeiro mês aqui e não consegui parar de pensar no ato de descer, de ir para aquele porão escuro da casa que ninguém gosta muito de lembrar.
Não estou falando aqui no sentido de baixo astral, melancolia e depressão, mas no sentido de profundidade e intensidade.
Um discurso de sucesso sempre traz à tona a subida da vida, e a tendência natural de um sonho comum é geralmente pensar em subir, em chegar literalmente ao lugar mais alto, independente das estruturas que se têm para permanecer lá.
Nesses dias tenho conseguido enxergar a importância da descida em um processo anterior à subida. No post anterior falei um pouco sobre ser quem achamos que somos em um lugar diferente, onde a referência e o olhar do outro sobre você se resume em um ponto de interrogação.
No processo de alugar um apartamento, procurar um trabalho e, claro, conhecer pessoas, não existem mais tantas indicações, referências de alguém que te conhece e sabe de onde vem, o que você fez ou faz... É aí então que você passa a se olhar e buscar suas estruturas, seus valores, sua consciência. Começa a descer os degraus pra sair da superfície, pra enterrar o ego que só sobrevive se inflado todos os dias. Nesse caminho, começa a surgir um pouco do que eu chamo de liberdade de ser e não precisar parecer. Liberdade de tomar decisões e entender que nossa relação direta com Deus nos revelará a autenticidade de cada ação e motivação. Aprender que não são os comentários, críticas e elogios alheios que nos fazem ser o que somos, mas sim o que em meio à toda a falação, verdadeiramente existe em nós.
Engraçado pensar que cada área dessa cidade, seja o Brooklyn, Bronx, Queens ou Manhattan, é ligada por baixo da terra, pelo que chamamos de metrô... Esse lugar que conscientemente ou não, nos desconecta da superfície e nos une como seres iguais no sentido de valor, mas tão diferentes no sentido de espécie e identidade...
Desço as tais escadas pra baixo da terra todos os dias e sinto uma paz. Paz de estar tão misturada e ao mesmo tempo tão separada da multidão.
Vale dizer que a idéia de sair viajando e aproveitando o que o mundo proporciona não é o romance que todos imaginam acompanhados de uma trilha-sonora incrível. Pode até parecer um salto na vida, mas tenho percebido aqui que esse salto não é daqueles que só passam pra outra fase, ou que pulam obstáculos e passam por cima de abismos como no mundo do super mário. Esse salto, por vezes, é dado no escuro... o que eu particularmente chamo de fé.
Engraçado relacionar a palavra fé com algo escuro, mas o livro de Hebreus define a Fé pela certeza das coisas que se esperam e pela prova das coisas que não se vêem. (Hb 11:1)
Não ver algo, mas prosseguir acreditando que mais à frente o algo acontecerá é muitas vezes como andar de olhos fechados, mas de mãos dadas com o Condutor dos caminhos desconhecidos por mim, mas tão planejados por Ele.

"Para onde me irei do teu Espírito? Para onde fugirei da sua face?
Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer nas profundezas a minha cama, tu ali também estás.
Se tomas as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, ainda ali a tua mão me guiará.
Se eu disser: Decerto que as trevas me encobrirão, e a noite será luz a roda de mim, nem ainda as trevas são escuras para ti; a noite resplandece como o dia, pois as trevas e a luz são para Ti a mesma coisa." (Salmo 139: 7-12)

 

Thursday, February 23, 2012

Pelo Caminho...

                 foto_roberta cajado


Fotos que vou tirando por aí.. A primeira é da porta de entrada da minha casa...  (Apt 1B)
O "love brooklyn" eu fiz depois, bem tosquinho, no photoshop.
A segunda é de uma casa meio abandonada aqui em w-burg.
 

foto_roberta cajado


New life in New York

                                                                     foto_roberta cajado


Cá estou eu, em meio aos ensaios e mais ensaios pra começar este pequeno blog.
Sempre travo quando penso em fazer algo que todo mundo já fez ou faz... 
Fotografar, escrever, desenhar, falar, assistir, ir.. enfim, independente do que for: FAZER é sempre mais libertador do que só pensar.
Desta vez acho que entendi um pouco mais que nesse imenso mundo, ainda que tudo já tenha sido feito por alguém a essência da história nunca se repete, afinal somos sim pedaços diferentes de um vasto quebra-cabeça.
Este blog não tem a intenção de ser um guia com dicas incríveis e descoladas de bares, restaurantes, exposições e afins... 
Ainda que vez ou outra, quando for o caso, apareça alguma coisa desse tipo, espero de verdade que exista uma reflexão maior do que uma simples dica da tendência do momento!
Imagens que vou recolhendo ao longo do caminho também estarão por aqui...
Enfim, a proposta desse espaço é compartilhar com quem quer que seja as experiências de ser quem você acha que é, em um lugar diferente do qual viveu sua vida inteira. 
Sendo mais clara, a idéia é dividir as impressões e descobertas de, aos 31 anos, mudar de casa, de cidade, de país, de língua, e conseqüentemente, de visão.
Cheguei em Nova Iorque há quase um mês atrás e desde então venho acumulando alguns pensamentos, aprendizados e olhares que gostaria de expor aqui.
Resumindo bem, larguei meu emprego estável de mais de 5 anos em uma confecção e vim em busca de um pouco mais de profundidade... Não em busca da Felicidade como diz o livro do querido Dalai Lama porque acredito, sem dúvida alguma, que esse assunto de ser feliz a todo o custo é um pouco complexo e excede qualquer "passo a passo" de livros e blogs de auto-ajuda!
Acredito que quando vivemos uma rotina insana ficamos condicionados a não ver, a passar reto por experiências que por algum motivo teríamos que viver, a cumprir obrigações diárias pra matar o tempo e sentir aquela sensação de missão cumprida.
Em meio a esses sentimentos pedi a Deus que me mostrasse um pouco mais da vida, pois mesmo com quase tudo em ordem e a sensação de tarefa cumprida, férias e décimo terceiro no final do ano, ainda tinha alguma coisa me incomodando... Uma série de questões como: "Então é essa a vida que vou ter? Trabalhar, comer, dormir ao invés do famoso comer, rezar, amar?" Ainda prefiro Viver, Observar, Transformar e Amar, Respeitar, Aceitar...
Foi aí que veio NOVA Iorque, não tão NOVA pra mim, mas em um contexto novo, diferente dos outros em que vivi por aqui.
Dessa vez, como diz meu pai, não vim pra contar pros outros como foi passear e curtir a cidade em 15 dias de férias. Vim pra habitar a cidade, viver a atmosfera, mas nunca deixar de lado os olhos do turista, aquele que vê beleza e novidade em tudo!
Comecei me matriculando em um curso de arte, mas sem muito dinheiro no bolso já tive que começar a fazer uns "bicos"... daqueles simples, mas que testam sua humildade, seu valor, sua identidade... mas também te fazem mais fortes, mais observadores, mais satisfeitos na simplicidade, mais preparados pros imprevistos, mais sensíveis, mais suscetíveis às surpresas de Deus e mais, muito mais, gratos.