Chega uma hora que a gente não se importa mais. E essa hora é preciosa...
Porque o não se importar mais com certas coisas faz a gente
se importar mais com a vida, com os reais valores que ela nos dá, que Deus nos
dá.
Essa hora não é permanente, mas acho que tem que ser buscada de maneira constante.
Acredito de verdade, que muito do nosso tempo é perdido com essa
preocupação excessiva que damos pras coisas que não merecem excesso nenhum de
atenção.
O trabalho, a imagem, a reputação, a opinião dos outros. Ah,
quando isso vai sendo destruído, vive-se então a liberdade. Aquele filme bem
brega que você sempre gostou e teve vergonha de assumir na frente dos seus
amigos pseudointelectuais. Aquele
momento que você só ouve louvor e adoração (sim, música de gente que quer
celebrar a existência de Deus), e te perguntam no trabalho que tipo de som você
anda ouvindo. Na verdade, você até ouve outras coisas, mas o momento é outro e
você diz “Adoração”.
Silêncio. Risos.
Ah, são tantas as vaidades que nos impedem de ser livre. A
roupa que você acha que tem que comprar, A viagem que você acha que tem fazer pra
aumentar seu álbum de fotos nas redes sociais.
Medos e vergonhas de assumir o que de verdade é. As falhas,
os defeitos, os pecados, os pensamentos que dão vergonha até da gente mesmo. E
a dificuldade de ouvir crítica e continuar sendo feliz sem pensar naquilo durante
meses? E se a crítica fizer sentido e você tiver a chance de assumir, se dobrar
e ser humilde? Ah, quanta liberdade existe nesse ato...
Também tem horas que a tristeza bate, a confusão vem, os
questionamentos não param e você não os aceita, não se aceita, não consegue
lidar e por fim, se isola. Numa dessas descobri que o isolamento seguido da
vontade de se esconder é um buraco negro. Não dá pra enxergar nada, ouvir nada.
Aí percebi que a raiz fica sempre rodeando aquele pensamento de que ninguém vai
entender, nada vai ajudar. E se você é cristão, crente, católico, o que mais
você quiser chamar, acaba achando que é pecado questionar a Deus, não convém
dizer ao criador do universo que você está
de saco cheio, cansado e perguntar pra Ele: E aí, cadê você?”
Lembrei desse Salmo do rei Davi, falando com Deus:
“A minha alma está em
agonia. Até quando, ó Senhor, até quando?” (Sl 6:3)
“ Na morte não há
lembrança de ti. No sepulcro, quem te louvará?” (Sl 6:5)
É até engraçado, mas as vezes a gente não se assume nem pra
Deus, com medo do que Ele vai pensar de nós. Que ironia, Ele já sabe, já me
conhece do avesso antes mesmo da gente virar gente.
Eu gosto desse desabafo do rei Davi, exala intimidade. Me
inspira a ser mais honesta comigo mesma, e por fim, com Ele.
Acabei de começar um trabalho novo. Lógico que estou feliz,
foi um salto grande que Deus me fez dar. Mas também estou ansiosa, com uns
medos as vezes. Medo de não dar o que eles querem, medo de não mostrar o
resultado necessário. Mas sabe o que? Tenho aprendido que sentir medo é ter
consciência, é também estar vivo. Aceitar o medo e conversar com ele mostrando
onde ele deve ficar tem sido uma ótima saída. É mais fácil ser dominada pelo
medo quando o ignoramos, sem trata-lo. Uma hora ele grita. Tenho aprendido
também que medo vem de uma percepção fraca de saber a verdade sobre quem somos.
Sabe, a gente não precisa dar mais nem menos do que somos.
Apóstolo Paulo já dizia: “Mas, andemos
segundo o que já alcançamos.” (Filipenses 3:16)
Quanto fardo fica pra trás quando penso nisso. Se ainda não
alcancei alguma coisa, porque vou andar como se já tivesse alcançado? Isso tem
tudo a ver com identidade, com saber e aceitar quem somos e até onde já
chegamos. O futuro das minhas conquistas pertence ao meu Deus.
E por fim, chego ao pensamento que me traz Paz, que me
ensina a ser livre:
O pensamento de que nada importa mais que a esperança, o
amor e a alegria de pertencer Àquele que me criou, que me salvou, que me ama,
independente de quem sou e do que posso fazer.
Viva a Graça, viva a verdade, viva o sacrifício feito
através do amor.
Viva a Vida que é maior que a vida daqui.




