Monday, August 12, 2013

Tradições Inacabadas




Casei em Novembro do ano passado e não tive, como de costume, a chamada lua de mel. Coisa que pros amantes da tradição é indispensável após a tradicional cerimônia entre duas pessoas que escolheram viver juntas. Confesso que por muito tempo não consegui viver sem elas, as tradições, e a história que eu mesma inventava do meu futuro tinha sempre uma delas no meio.
Em meados de Maio deste ano, meu marido foi selecionado para participar de uma residência em uma instituição de arte em Salzburgo (Áustria). Com a maioria das despesas pagas pela tal instituição, decidimos então que seria um bom momento pra sair pela tal 'lua de mel'. 

Aterrissamos em Viena (parada obrigatória) na quinta-feira a noite sem programar nada, mas querendo ver tudo, sem deixar nada pra trás. É aí que sempre me pego em confusão... Por que tanto desespero em engolir paisagens, correr por ruas que nem se sabe o nome, voar por museus sem parar e no final ter um amontoado de suvenires, catálogos e fotos mal tiradas? Fora a mania de reproduzir imageticamente as mesmas cenas, nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas.
Não me entenda mal pois não estou, nem de longe, dizendo que não cumpro e me permito viver esses clichês, e mesmo quando realmente não o faço, exijo de mim mesma uma certa explicação.

A questão é que nessa viagem quero tentar fazer diferente, quebrar o que talvez esteja imposto dentro de mim e trazê-lo pra fora. Fazer das tradições meras coincidências, deixá-las pela metade e somente segui-las quando a mão de Deus me levar, assim como quem não quer nada.
No último sábado fomos ver algumas obras de Klimt, artista que faz brilhar meus olhos desde a infância. O museu tinha muitos cômodos e algumas fases da história da arte que, pra dizer a verdade, mesmo que com grande sentimento de culpa, passei batido e assim segui meu passeio inacabado pelas artes. Engraçado como essa culpa de não chegar ao final sempre persiste, engraçado como o final das coisas geralmente nem é tão bom como o começo ou o meio delas... mas enfim, continuemos.
Finalmente cheguei ao espaço do amado Gustav Klimt, e depois de alguns longos minutos encantada em cada obra, parei em frente ao retrato de Johanna Staude (o da foto acima), pintado pelo artista em 1917. Logo abaixo do título, o detalhe mais importante da obra dizia: “Unvollendet”, do alemão, inacabado.

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