Monday, August 5, 2013

Em dias de chuva a gente pensa demais.




Foto: Roberta Cajado



Pensa demais e as vezes faz de menos. Nunca entendi o ritmo  de um dia espaçoso. 
É o dia em que mais perco tempo.
Tem espaço pra tanta coisa, que como numa pequena mentira digo pra mim mesma: ‘vai sobrar muito espaço, melhor deixar pro dia em que tudo tiver mais apertado, assim o anseio e a pressa se encarregam de colocar cada coisa no seu lugar.

Nesse dia de hoje (há dois meses atrás), chuvoso, resolvi limpar a casa e abrir as duas caixas que sobraram da mudança. Pois é, mudamos, eu e meu marido, ha quase uma semana atrás para enfim um canto com mais cara de casa.

Na minha arrumação me pego pensando que queria que cada micro objeto encontrasse seu lugar para ser guardado, e quando eu digo “seu lugar” significa que não gostaria de ter um lugar pra muitos objetos.

Aí penso na vida – sempre que arrumo a casa faço umas comparações estranhas – Penso que desde que mudei pra cá tenho essa constante sensação de achar um lugar pra cada sentimento ou questão. Depois penso que não é nada disso, que preciso mesmo é continuar vivendo, mas aí penso no propósito. Penso em eternidade, penso que tudo isso aqui é muito pouco, que acaba, que é tudo vaidade. Só aí então começo uma conversa com Deus, e quando começo a conversar, o tempo muda. Não o tempo de fora, mas o tempo de dentro.
É uma das coisas boas que existem, por um momento ter a sensação de ser revestida de algo que não é daqui, que eu nem sei explicar.

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