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Foto: Roberta Cajado |
Pensa demais e as vezes faz de menos. Nunca entendi o
ritmo de um dia espaçoso.
É o dia em que
mais perco tempo.
Tem espaço pra tanta coisa, que como numa pequena mentira digo pra
mim mesma: ‘vai sobrar muito espaço, melhor deixar pro dia em que tudo tiver
mais apertado, assim o anseio e a pressa se encarregam de colocar cada coisa no
seu lugar.
Nesse dia de hoje (há dois meses atrás), chuvoso, resolvi limpar a casa e abrir as
duas caixas que sobraram da mudança. Pois é, mudamos, eu e meu marido, ha quase
uma semana atrás para enfim um canto com mais cara de casa.
Na minha arrumação me pego pensando que queria que cada
micro objeto encontrasse seu lugar para ser guardado, e quando eu digo “seu
lugar” significa que não gostaria de ter um lugar pra muitos objetos.
Aí penso na vida – sempre que arrumo a casa faço umas comparações estranhas – Penso que desde que mudei pra cá tenho essa constante sensação de
achar um lugar pra cada sentimento ou questão. Depois penso que não é nada
disso, que preciso mesmo é continuar vivendo, mas aí penso no propósito. Penso
em eternidade, penso que tudo isso aqui é muito pouco, que acaba, que é tudo
vaidade. Só aí então começo uma conversa com Deus, e quando começo a conversar,
o tempo muda. Não o tempo de fora, mas o tempo de dentro.
É uma das coisas boas que existem, por um momento ter a
sensação de ser revestida de algo que não é daqui, que eu nem sei explicar.

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