Acho difícil
começar a escrever assim, do nada.
Vou começar contando da manhã chuvosa em
que eu e meu marido acordamos hoje.. Lá fora a neve que era branca, ficou encardida
e deixou as ruas e calçadas ainda mais escorregadias, de modo que ao andarmos
10 passos, nos víamos patinando em gelo fino.
Como toda manhã
de Domingo, fomos à igreja buscando um pouco mais de Deus e da sua Luz, que faz das
coisas desapercebidas um mar de significados.
Liberdade foi o
tema do sermão que clareou algumas das minhas questões e me fez retomar a
escrita ansiando por novos processos e caminhos pra 2014.
Volto em 2013,
ano que começou bom, cheio de novidades, mas terminou bem difícil, com bastante sofrimento.
Ano em que a
ficha caiu.
Já escrevi aqui
em alguns outros posts sobre o recomeço e a sensação de ser estrangeira, de não
pertencer à um lugar específico, de não conseguir rir das mesma piadas e, por
fim, se sentir só.
Em 2013 tive que
fazer um esforço grande pra me lembrar de quem sou e valorizar mais do que
nunca Àquele que me fez. Valorizar o amor do meu marido, da minha família e
amigos da vida toda. Lembrar que ainda que esteja recomeçando a vida em outro
território, Deus, as histórias e as raízes estão sempre comigo e à medida que o novo
começa, a lembrança do que já foi tem que achar seu lugar pra fazer parte da
reconstrução. Me vi caminhando contra o vento, mas fazendo força pra não
esquecer o lenço e documento.
Em Julho levei
meu marido ao Brasil e me deliciei na presença de todos aqueles que amo, que
são minha história e a maior parte da minha memória. Parecia sonho.
Quando voltei
achei que estava pronta pra vida nova. Foi então que senti um buraco vazio. Comecei a lembrar de amigo por amigo, parente
por parente, risada por risada, tempo por tempo, conversa por conversa. Aí
doeu. Cadê todo mundo e o que eu achei que eu soubesse do mundo?
Acho que eu escolhi a
estrada menos povoada. O engraçado é que eu escolhi com
consciência e fiz dessa estrada um sonho por alguns anos. Nessa estrada, em
vários momentos, sentei e chorei. Mas também levantei, andei e ainda ando, mas
com uma diferença: Quando vejo o buraco, corro pra buscar água e jogo dentro
dele. Foi aí que percebi que o buraco tá virando um poço, e o poço, em algum
momento, vai virar lago, que vai virar rio e então pode até começar a dar de
beber para quem tem sede... vai saber.
Essa foi minha Luz
do ano velho pro ano novo (Jo 4:14), perceber que o vazio só mostra a oportunidade da
busca, o trabalho e o crescimento que ainda tenho pela frente.
Buraco grande, a
meu ver, só existe na vida de quem tem muita sede.
Foi com essa sede que entrei em 2014 e
ao tema do sermão dessa manhã: “Liberdade” - fazer o que eu quero na hora que eu quero, do jeito que eu
quero.
Acho desnecessário gastar muitas palavras pra descrever essa utopia de liberdade, só quero dizer de verdade como
esse termo pode atrair sentidos tão diferentes e destruir tantos planos
importantes, principalmente para um novo ano.
Se eu quero
realizar algo importante que exigirá de mim disciplina diária, obviamente
terei que sacrificar a liberdade de realizar desejos momentâneos que me tirarão
do foco desse plano maior.
Liberdade, pra
mim, relaciona-se com apetite. Posso devorar o que quero, como quero, onde
quero, mas sacrificarei a médio/longo prazo meu corpo, minha saúde, e meu
paladar e discernimento do que é bom ou ruim.
Ao contrário da
liberdade momentânea (e instantânea) que o mundo propõe, quero me dedicar à
liberdade da disciplina. Sacrificar as bobagens para cumprir o que vale a pena.
Não quero fazer
da liberdade um pretexto pra não cumprir os planos que fiz no começo do ano.
Quando recebemos
um espaço vazio, sem direções e obstáculos, somos consumidos por milhares de
afazeres inconstantes que não nos levam a lugar algum. Além disso, a liberdade
pura e imaculada não cabe em uma realidade onde de alguma forma, algo ou alguém
estão sempre nos dirigindo a tomar alguma decisão. Não somos seres independentes
da educação que tivemos, de uma palestra que ouvimos sobre determinado tipo de
comportamento, sobre um filósofo que seguimos, ou ao Deus que servimos.
Existimos desde sempre com essa influência (boa ou ruim) no nosso “poder” de
liberdade. A Bíblia diz que Cristo nos chamou para a liberdade, liberdade de sermos quem somos para viver por completo o potencial e os dons que Ele nos deu. Liberdade de não precisar fingir que fazemos parte da propaganda fake de margarina, onde todo mundo está dando gargalhadas no café da manhã...
Liberdade de viver a realidade, sem máscara, de olhos abertos.
Por isso nesse
ano que segue escolho dar à liberdade o sentido do bom sacrifício, rejeitar o
que é pura vaidade, pra construir o que é duradouro.
“Aquele, porém, que
atenta bem para a lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo
ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será bem-aventurado no que
realizar.”
(Tiago 1:25)
Feliz Ano Novo :)
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