Sunday, January 5, 2014

Meu testemunho do velho pro Novo.




Acho difícil começar a escrever assim, do nada. 
Vou começar contando da manhã chuvosa em que eu e meu marido acordamos hoje.. Lá fora a neve que era branca, ficou encardida e deixou as ruas e calçadas ainda mais escorregadias, de modo que ao andarmos 10 passos, nos víamos patinando em gelo fino.
Como toda manhã de Domingo, fomos à igreja buscando um pouco mais de Deus e da sua Luz, que faz das coisas desapercebidas um mar de significados.
Liberdade foi o tema do sermão que clareou algumas das minhas questões e me fez retomar a escrita ansiando por novos processos e caminhos pra 2014.
Volto em 2013, ano que começou bom, cheio de novidades, mas terminou bem difícil, com bastante sofrimento.
Ano em que a ficha caiu.
Já escrevi aqui em alguns outros posts sobre o recomeço e a sensação de ser estrangeira, de não pertencer à um lugar específico, de não conseguir rir das mesma piadas e, por fim, se sentir só.
Em 2013 tive que fazer um esforço grande pra me lembrar de quem sou e valorizar mais do que nunca Àquele que me fez. Valorizar o amor do meu marido, da minha família e amigos da vida toda. Lembrar que ainda que esteja recomeçando a vida em outro território, Deus, as histórias e as raízes estão sempre comigo e à medida que o novo começa, a lembrança do que já foi tem que achar seu lugar pra fazer parte da reconstrução. Me vi caminhando contra o vento, mas fazendo força pra não esquecer o lenço e documento.
Em Julho levei meu marido ao Brasil e me deliciei na presença de todos aqueles que amo, que são minha história e a maior parte da minha memória. Parecia sonho.
Quando voltei achei que estava pronta pra vida nova. Foi então que senti um buraco vazio.  Comecei a lembrar de amigo por amigo, parente por parente, risada por risada, tempo por tempo, conversa por conversa. Aí doeu. Cadê todo mundo e o que eu achei que eu soubesse do mundo?
Acho que eu escolhi a estrada menos povoada. O engraçado é que eu escolhi com consciência e fiz dessa estrada um sonho por alguns anos. Nessa estrada, em vários momentos, sentei e chorei. Mas também levantei, andei e ainda ando, mas com uma diferença: Quando vejo o buraco, corro pra buscar água e jogo dentro dele. Foi aí que percebi que o buraco tá virando um poço, e o poço, em algum momento, vai virar lago, que vai virar rio e então pode até começar a dar de beber para quem tem sede... vai saber.
Essa foi minha Luz do ano velho pro ano novo (Jo 4:14), perceber que o vazio só mostra a oportunidade da busca, o trabalho e o crescimento que ainda tenho pela frente.
Buraco grande, a meu ver, só existe na vida de quem tem muita sede.
Foi com essa sede que entrei em 2014 e ao tema do sermão dessa manhã: “Liberdade” - fazer o que eu quero na hora que eu quero, do jeito que eu quero.
Acho desnecessário gastar muitas palavras pra descrever essa utopia de liberdade, só quero dizer de verdade como esse termo pode atrair sentidos tão diferentes e destruir tantos planos importantes, principalmente para um novo ano.
Se eu quero realizar algo importante que exigirá de mim disciplina diária, obviamente terei que sacrificar a liberdade de realizar desejos momentâneos que me tirarão do foco desse plano maior.
Liberdade, pra mim, relaciona-se com apetite. Posso devorar o que quero, como quero, onde quero, mas sacrificarei a médio/longo prazo meu corpo, minha saúde, e meu paladar e discernimento do que é bom ou ruim.
Ao contrário da liberdade momentânea (e instantânea) que o mundo propõe, quero me dedicar à liberdade da disciplina. Sacrificar as bobagens para cumprir o que vale a pena.
Não quero fazer da liberdade um pretexto pra não cumprir os planos que fiz no começo do ano.
Quando recebemos um espaço vazio, sem direções e obstáculos, somos consumidos por milhares de afazeres inconstantes que não nos levam a lugar algum. Além disso, a liberdade pura e imaculada não cabe em uma realidade onde de alguma forma, algo ou alguém estão sempre nos dirigindo a tomar alguma decisão. Não somos seres independentes da educação que tivemos, de uma palestra que ouvimos sobre determinado tipo de comportamento, sobre um filósofo que seguimos, ou ao Deus que servimos. Existimos desde sempre com essa influência (boa ou ruim) no nosso “poder” de liberdade. A Bíblia diz que Cristo nos chamou para a liberdade, liberdade de sermos quem somos para viver por completo o potencial e os dons que Ele nos deu. Liberdade de não precisar fingir que fazemos parte da propaganda fake de margarina, onde todo mundo está dando gargalhadas no café da manhã...
Liberdade de viver a realidade, sem máscara, de olhos abertos.
Por isso nesse ano que segue escolho dar à liberdade o sentido do bom sacrifício, rejeitar o que é pura vaidade, pra construir o que é duradouro.

“Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será bem-aventurado no que realizar.”
(Tiago 1:25)

Feliz Ano Novo :)

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